WILLIAMS, RAYMOND

RAYMOND WILLIAMS

O galês Raymond Williams (1921-1988) foi um dos principais nomes na crítica cultural da New Left inglesa do pós-guerra. Estudou literatura, teatro e televisão, tentando compreender tanto a cultura chamada erudita quanto a cultura popular e a indústria cultural. Foi professor em Cambridge e professor-visitante em Stanford. É autor de Culture and Society, The Long Revolution, e Television: Technology and Cultural Form, entre muitos outros. Também escreveu romances e peças de teatro.




LIVRO ESCOLHIDO - EDITORA BOITEMPO

PALAVRAS – CHAVE - UM VOCABULÁRIO DE CULTURA E SOCIEDADE (L!)

“Não se trata de dicionário ou glossário de um assunto acadêmico específico. Não se trata de uma série de notas de rodapé com definições ou histórias dicionarizadas de umas tantas palavras. Trata-se, ao contrário, de uma investigação a respeito de um vocabulário: um conjunto compartilhado de palavras e sentidos em nossas discussões mais gerais, em língua inglesa, sobre as práticas e instituições que agrupamos como cultura e sociedade.” (Raymond Williams) Ao retornar para Cambridge, após servir o exército inglês na II Guerra Mundial, o escritor e crítico literário Raymond Williams estranhou o novo e múltiplo sentido de uma palavra antes pouco usada: cultura. Dessa inquietação com os diferentes sentidos e usos dos termos, além da preocupação com a falsa neutralidade do vocabulário e dos dicionários, nasceu o projeto que resultou em Palavras-chave: um vocabulário de cultura e sociedade, até hoje inédito no Brasil. O livro parte da análise inicial de cinco palavras – indústria, democracia, classe, arte e cultura –, cujas alterações de sentido Williams considera fundamentais para entender o pós-guerra. Em torno desse eixo escreveu sobre 131 termos que são analisados em sua origem, evolução e diferenciações de uso, de acordo com correntes acadêmicas, contexto social e idelogias políticas. De alienação a violência, trata de palavras essenciais ao debate acadêmico e político (igualdade, ecologia, genético, hegemonia, história, teoria, nacionalista, racionalista, pragmático). O trabalho de reconstituição histórica do sentido das palavras demonstra que a linguagem é uma arena de conflitos sociais. Para Williams, é preciso aprender quais foram as opções de sentido derrotadas, quais foram impostas e a serviço do quê para entender e disputar o campo dos sentidos da linguagem. O livro de Williams era inédito no Brasil, e a tradução foi da professora da USP Sandra Guardini Vasconcelos. Coerentemente com o espírito de Palavras-chave, que conta com um prefácio de Maria Elisa Cevasco, autora de Para ler Raymond Williams, acrescentamos à edição brasileira – na forma de apêndice – verbetes escritos por intelectuais do Brasil e do exterior, que dão conta do vocabulário sobre cultura e sociedade dos anos 1990 até os dias de hoje, como: globalização (Alex Fiúza de Melo), estudos culturais (Andrew Miller), arte como mercadoria (Francisco Alambert), internet (Marcos Dantas), marketing (Isleide Fontenelle), televisão (Venício Lima), estudos pós-coloniais (Paulo Daniel Farah), marxismo (Celso Frederico), teatro (Flávio Aguiar), cinema (Marcos Soares), indústria cultural (Márcia Dias) e multiculturalismo (Vladimir Safatle).

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